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GeekPor Daniel Beltrami

Supergirl vem aí: a nova aposta do DCU pode ser mais ousada que Superman?

Com Milly Alcock, inspiração em Woman of Tomorrow e Jason Momoa como Lobo, Supergirl pode ser o primeiro grande teste de personalidade do novo DCU.

O novo DCU ainda está formando sua identidade, mas Supergirl já parece uma peça importante desse tabuleiro. Depois de Superman, a chegada de Kara Zor-El pode mostrar se o universo comandado por James Gunn e Peter Safran vai mesmo ter espaço para filmes com tons diferentes, personagens mais quebrados e aventuras menos previsíveis.

E esse é o ponto mais interessante: Supergirl não precisa ser apenas uma extensão feminina do Superman. Se o filme abraçar a inspiração em Supergirl: Woman of Tomorrow, a história pode entregar uma Kara mais amarga, cósmica e emocionalmente ferida do que muita gente espera.

Uma Supergirl menos solar

Milly Alcock, conhecida por A Casa do Dragão, assume o papel de Kara Zor-El. A escolha já diz bastante. Alcock tem presença para personagens jovens, intensas e marcadas por conflitos internos, algo que combina com uma Supergirl que não teve a mesma criação esperançosa de Clark Kent.

Enquanto Superman costuma representar a bondade criada na Terra, Kara carrega outra experiência: ela viu a queda de Krypton de perto, perdeu seu mundo de forma mais consciente e cresceu com uma dor que Clark não viveu do mesmo jeito.

Essa diferença pode ser o grande motor do filme. Não é só uma questão de poder. É uma questão de olhar para o universo.

Woman of Tomorrow muda o tom

A principal referência do filme é a minissérie Supergirl: Woman of Tomorrow, escrita por Tom King e ilustrada por Bilquis Evely. Nos quadrinhos, Kara embarca em uma jornada espacial ao lado de Ruthye Marye Knoll, uma jovem que busca vingança pela morte do pai.

É uma história que mistura faroeste, ficção científica e tragédia. Tem planetas distantes, violência, melancolia e uma Supergirl menos interessada em parecer perfeita. O quadrinho funciona porque trata Kara como alguém cansada de sobreviver, mas ainda incapaz de ignorar o sofrimento dos outros.

Se o filme preservar essa energia, ele pode ser bem diferente de um blockbuster tradicional de origem.

Lobo pode roubar a cena

Outro elemento que aumenta a curiosidade é Jason Momoa como Lobo. Depois de viver Aquaman no antigo DCEU, Momoa volta ao universo DC em um papel que parece muito mais próximo da persona caótica, exagerada e brutal que muitos fãs sempre imaginaram para ele.

Lobo é um personagem perigoso para qualquer adaptação. Se pesar demais na caricatura, vira piada. Se tentar deixar sério demais, perde a graça. O equilíbrio ideal está no meio: violência cartunesca, humor sujo, presença absurda e um senso de imprevisibilidade constante.

Para Supergirl, isso pode ser ótimo. Kara precisa de contraste. Um filme cósmico com uma heroína traumatizada e um caçador de recompensas completamente sem filtro pode ter uma textura bem própria.

O DCU precisa provar que tem variedade

O maior desafio do novo DCU não é só acertar Superman. É provar que cada projeto tem uma identidade clara. Se tudo parecer uma variação do mesmo humor, da mesma fotografia e da mesma estrutura, o universo pode cansar rápido.

É aí que Supergirl se torna importante. O filme tem espaço para ser mais estranho, mais espacial e mais agressivo emocionalmente. Pode conversar com o lado épico da DC, mas também com algo mais próximo de uma aventura de sobrevivência.

Em vez de tentar repetir a sensação de Superman, a melhor escolha seria justamente ir para o outro lado: mostrar uma heroína que ainda acredita no bem, mas não por ingenuidade. Ela acredita porque já viu o pior.

Pode ser mais ousado que Superman?

Pode. E talvez precise ser.

Superman é o pilar moral do DCU. Ele precisa funcionar como centro de gravidade. Já Supergirl pode ser a faísca que mostra o quanto esse universo consegue sair da zona segura. Kara não precisa sorrir para todos os problemas. Ela pode ser contraditória, impulsiva, cansada e ainda assim heroica.

Esse tipo de personagem costuma render histórias mais interessantes porque a jornada não é apenas vencer o vilão. É descobrir se ainda existe algum sentido em fazer a coisa certa quando o universo parece indiferente.

O que esperar

Com direção de Craig Gillespie, roteiro de Ana Nogueira, Milly Alcock como Kara e Jason Momoa como Lobo, Supergirl chega cercada de expectativas. A estreia está marcada para 26 de junho de 2026, dentro do primeiro capítulo do novo DCU, chamado Gods and Monsters.

Se o filme realmente abraçar o peso de Woman of Tomorrow, pode ser uma das apostas mais interessantes da DC nos cinemas. Não porque precisa ser maior que Superman, mas porque pode ser diferente dele.

E, neste momento, diferença talvez seja exatamente o que a DC mais precisa.

Fontes e contexto

As informações de elenco, inspiração em Supergirl: Woman of Tomorrow, participação de Lobo e data de estreia foram acompanhadas em materiais recentes sobre o filme publicados por veículos como GamesRadar, Entertainment Weekly e registros públicos de produção ligados ao lançamento de Supergirl.